Depois de 12 anos como bombeira militar e 111 países visitados, Keka Pelo Mundo construiu uma trajetória marcada por mudanças profissionais e pessoais e, agora, desenvolve um projeto voltado ao exercício da coragem diante das escolhas da vida
Há trajetórias profissionais que se desenvolvem de forma linear. A de Keka Pelo Mundo seguiu outro caminho. Antes de se tornar conhecida pelo trabalho relacionado ao turismo e às viagens, ela passou 12 anos na carreira de bombeira militar. Nesse período, conciliou a rotina operacional com viagens realizadas durante folgas e trocas de plantão. Anos depois, deixou a farda, passou a produzir conteúdo na internet e transformou a experiência acumulada em diferentes frentes de atuação profissional.
A relação de Keka com as viagens começou ainda na juventude. Aos 18 anos, realizou o primeiro intercâmbio, na Índia. Viajou sozinha e sem dominar o idioma, enfrentando uma realidade diferente daquela que conhecia. A experiência foi marcada tanto pelas dificuldades quanto pela descoberta de novas culturas e acabou influenciando a maneira como passou a enxergar as viagens.
A decisão de investir em experiências internacionais também teve influência da família. Durante a infância, Keka enfrentou dificuldades, mas cresceu com o incentivo da mãe para que os filhos tivessem acesso à educação, ao estudo de inglês e a programas de intercâmbio. O investimento, feito mesmo diante de limitações, abriu oportunidades que contribuíram para suas escolhas posteriores.
Aos 21 anos, Keka foi aprovada em um concurso para bombeira militar. Durante os 12 anos de serviço, atuou no setor operacional, inclusive na condução de ambulâncias. A profissão trouxe estabilidade, mas não interrompeu o interesse pelas viagens. Sempre que a escala permitia, ela aproveitava os períodos de folga para conhecer novos lugares.
Aos 30 anos, realizou um segundo intercâmbio, desta vez na Austrália. A previsão inicial era permanecer quatro meses, mas a estadia se prolongou por dois anos e meio. O retorno ao Brasil foi motivado, entre outras questões, pela necessidade de tomar uma decisão definitiva sobre a carreira militar. Keka queria compreender se ainda fazia sentido permanecer na profissão que havia escolhido anos antes.
A mudança começou a ganhar forma em 2018, quando ela passou a produzir conteúdo sobre viagens na internet. O trabalho começou de maneira espontânea, principalmente pelo Instagram. Com o crescimento do interesse do público, surgiram pedidos de pessoas que queriam viajar com ela. A procura acabou dando origem à Keka Pelo Mundo, empresa dedicada a expedições autorais, e a uma comunidade formada em torno das experiências compartilhadas nas redes sociais.
Em 2023, Keka publicou o livro Se você não sabe qual o próximo passo, talvez seja hora de viajar, reunindo parte das experiências adquiridas durante as viagens. Na época, havia visitado 85 países. O número continuou crescendo e chegou a 111 países, além de todos os continentes e de todos os estados brasileiros. Grande parte dessas viagens foi realizada sozinha.
A experiência também modificou sua relação com o próprio turismo. Para Keka, uma viagem não se resume ao destino escolhido, mas pode representar um período de mudanças e descobertas pessoais. Essa visão passou a orientar o trabalho desenvolvido pela empresa, que organiza expedições para destinos como Tailândia, Egito, Noruega e Fernando de Noronha.
A atuação de Keka também se expandiu para outros segmentos. Entre seus projetos está a Keka Flip, marca de sandálias que aposta em chinelas coloridas voltadas a pessoas que valorizam conforto e ousadia. A iniciativa amplia a presença da empreendedora para além do turismo e acompanha uma característica que aparece em diferentes projetos de sua trajetória: a construção de produtos e experiências associados à sua identidade e à forma como se relaciona com o público.
De acordo com informações apresentadas pela empreendedora, a agência já atendeu mais de mil viajantes e alcançou faturamento de sete dígitos, construído principalmente a partir da produção de conteúdo e da presença de Keka nas redes sociais.
Fernando de Noronha ganhou um significado especial nessa trajetória. Durante muito tempo, Keka enxergou a ilha como um destino distante e caro. A percepção mudou à medida que passou a frequentar o arquipélago e a estabelecer uma relação mais próxima com o local. A experiência resultou na criação da Casa da Keka, pousada e espaço de experiências instalado em Noronha.
A administração do empreendimento trouxe uma nova realidade profissional. A distância do continente e as particularidades logísticas da ilha acrescentaram desafios à gestão do negócio. Foi durante esse período que Keka passou a dedicar mais atenção a questões relacionadas à rotina, à espiritualidade e à relação com a natureza.
Nesse processo, começou a realizar transmissões ao vivo diariamente, às cinco horas da manhã, acompanhando o nascer do sol. Os encontros eram voltados a reflexões sobre escolhas, comportamento e mudanças pessoais. Segundo dados divulgados por Keka, mais de 50 mil pessoas passaram a acompanhar seu perfil nos 20 dias seguintes ao início dessa fase.
Foi nesse contexto que ganhou força um projeto que já vinha sendo pensado por ela: o Coragem é Músculo. A proposta parte da compreensão de que coragem não deve ser tratada apenas como uma característica que algumas pessoas possuem e outras não. Para Keka, trata-se de uma capacidade que pode ser exercitada e desenvolvida ao longo do tempo.
Com início previsto para 20 de setembro, o desafio terá duração de sete dias e será composto por atividades diárias e encontros ao vivo. A intenção é estimular os participantes a identificar situações em que o medo interfere em suas decisões e a desenvolver formas de transformar reflexão em atitude.
O projeto ainda está sendo estruturado e, segundo Keka, deverá ser construído também a partir da participação da comunidade. A proposta é que as experiências dos participantes contribuam para definir os próximos passos do desafio e para determinar se a iniciativa poderá ganhar proporções maiores.
A ideia de trabalhar a coragem está diretamente relacionada às decisões tomadas por Keka ao longo da vida. Viajar sozinha aos 18 anos, permanecer em outros países, deixar uma carreira de 12 anos como bombeira militar, iniciar um negócio próprio e assumir a administração de uma pousada em uma ilha são alguns dos momentos que ela identifica como importantes para sua trajetória.
As mudanças também alcançaram sua vida pessoal. Keka conta que, nos últimos anos, viveu transformações relacionadas à forma como compreende sua própria identidade e seus relacionamentos. Neste ano, casou-se em Fernando de Noronha com Verena, decisão que também considera parte de um processo de assumir escolhas pessoais diante das expectativas externas.
Apesar de defender o exercício da coragem, Keka faz uma distinção entre coragem e impulsividade. O conceito que apresenta é o de “coragem consciente”, baseado na avaliação dos riscos, no reconhecimento do medo e na responsabilidade pelas consequências de cada decisão. A proposta não é ignorar o receio diante de uma situação, mas compreender o que está por trás dele antes de tomar uma atitude.
A mesma perspectiva aparece nos projetos que desenvolve atualmente. Além do desafio Coragem é Músculo, Keka mantém a atuação no turismo autoral e na formação de profissionais por meio da MAVA, mentoria criada para pessoas interessadas em desenvolver seus próprios negócios no setor. O programa já reuniu aproximadamente uma centena de alunos em quatro turmas.
A trajetória que começou com um intercâmbio na Índia, passou pela carreira militar e ganhou novos rumos por meio das viagens chegou, portanto, a uma etapa em que Keka busca compartilhar não apenas os lugares que conheceu, mas também as escolhas que fizeram parte desse percurso. Entre viagens, empreendedorismo, hotelaria, produtos e formação profissional, seus projetos refletem uma trajetória construída a partir de diferentes experiências e decisões.
O Coragem é Músculo representa essa nova frente de trabalho e parte de uma convicção construída a partir da própria experiência: o medo pode fazer parte de uma decisão sem necessariamente determinar o caminho a ser seguido.
O desafio está previsto para começar em 20 de setembro e será divulgado pelo perfil @kekapelomundo.
Keka Pelo Mundo é ex-bombeira militar, viajante com 111 países visitados e fundadora de uma agência de expedições autorais. Também está à frente da Casa da Keka, em Fernando de Noronha, da MAVA, mentoria voltada ao turismo autoral, e da Keka Flip, marca de sandálias. É idealizadora do desafio Coragem é Músculo e casada com Verena.
Contato para pauta e entrevistas: Mava@kekapelomundo.com
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